Sala de Leitura
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Todo mundo tem curiosidade de saber o que o amigo está lendo e que impressões se tem dessa leitura. Todos os meses, eu indico um livro diferente aqui no blog e muitos me pediram para comentar um pouco sobre minhas impressões dessas leituras, de modo pessoal mesmo, sem nada de acadêmico no meio. Então, vamos lá! Aceito comentários sobre as suas próprias impressões de leitura e discussões sobre títulos que vocês achem semelhantes aos meus indicados, ok?
Out. 2009: The London Scene,Virginia Woolf
“Indeed, it was always the last page, the present moment that mattered most. The delightful thing about London was that it was always giving one something new to look at, something fresh to talk about.”
O desejo da cidade

A dica de leitura para outubro é um livro sensível em suas mais discretas palavras e imagens. Eu adoro The London Scene, não apenas porque adoro, primeiramente, a Virginia Woolf e sua literatura e crítica, mas também pela descrição poética e simbólica de imagens cotidianas que costumamos ignorar. Um outro motivo é por ter sido sempre uma citadina, e depois uma também apaixonada por Londres. A cidade que no início do séc. XX já mexia completamente com os ânimos de Virginia, parece nunca deixar de pulsar. Como ela mesma dizia “Londres tem uma perpétua fumaça que nenhuma primavera ou outono consegue dissipar”. E era essa “perpétua fumaça” o que parecia nunca aplacar seu desejo de retornar à cidade pela qual nutria grande paixão. Em As Horas, de Michael Cunningham, a Virginia personagem simplesmente foge de casa para ser, mais tarde, encontrada pelo marido na estação de trem que a levaria de volta a Londres.

Quem pode entender como o sentimento cativante e arrebatador por uma cidade acontece? Virginia diz que não há explicação para isso; um belo dia você se dá conta de que não pode mais viver em outro lugar. O livro é uma belíssima compilação de seis crônicas escritas entre 1931 e 1932, uma delas descoberta apenas em 2005 e só agora publicada em livro, que descreve, entusiasticamente, a beleza dos jardins, das calçadas, dos parques, das pessoas que faziam de Londres aquele “ser voraz de movimento e vida”. Eu recomendo
Rapidíssima: The London Scene foi traduzido para o nosso português como Cenas Londrinas, por Myriam Campelo, para a editora José Olympio. A tradução faz parte da coleção Sabor Literário, que oferece aos leitores acesso a textos inéditos ou pouco conhecidos de grandes escritores.
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Set. 2009: Sob o sol da Toscana, Frances Mayes
“Quanto mais o lugar penetra em você, mais sua identidade fica entrelaçada com ele. Nunca fortuita, a escolha do lugar é a escolha de algo que a pessoa deseja ansiosamente.”
Fugindo para reencontrar-se

Minha indicação de leitura para setembro é puro deleite e pura reflexão e reencontro. Adoro este livro e toda a atmosfera que o envolve. Na corrida louca dos dias, acho que esquecemos de celebrar os lugares que amamos e as pessoas que nos tocam. Em Sob o sol da Toscana, Frances Mayes, apresenta-nos as delícias da descoberta de lugares longínquos e de experiências transformadoras. Ao comprar e reformar uma casa tradiconal na Itália, a autora nos embevece com suas experiências do desconhecido. Gosto especialmente da narrativa sensual e metafórica, que nos mostra como os dias quentes tornam as pessoas mais bonitas, mais ávidas e curiosas. As belezas da simplicidade e o enaltecimento dos aromas, dos sabores e dos anseios, fazem-nos viajar com ela a um lugar em que, por vezes, parece que o relógio parou.

Vemos outra cultura e outra língua; a beleza incondicional das coisas simples e a arquitetura dos afetos; a importância do olhar, do observar e do sentir. Eu recomendo, com muito entusiasmo, esta leitura da descoberta de quem realmente somos, quando começamos a descortinar as janelas da alma. Vale a pena, principalmente se lhe sobra um tempo em que a fuga é o principal objetivo.
Rapidíssima: Há uma adaptação linda desse livro para o cinema, com o mesmo título, dirigida por Audrey Wells. Diane Lane interpreta Frances Meyes, e o ponto alto da produção é a belíssima fotografia.
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Ago. 2009: A Big New Free Happy Unusual Life, Nina Wise
“All of us are free, and this freedom is our very essence; we need not do anything at all to achieve it. But distracted by the stories we tell ourselves about our lives and who we believe ourselves to be within these stories, we forget that our essential nature is unencumbered and liberated. Instead, we enforce stringent rules on ourselves and each other, confining our freedom of self-expression to meager slots of time in rigidly defined arenas.”
A arte da espontaneidade

Neste mês, a minha indicação de leitura é um pouco diferenciada das minhas indicações habituais. Eu já havia inclusive indicado este mesmo livro no blog um tempo atrás mas, como o revisitei há algumas semanas, percebi que valeria repetir. O livro de Nina Wise é muito sobre o que nos falta hoje: o espírito de espontaneidade. Nina é atriz e professora de teatro e A Big New Free Happy Unusual Life é o resultado de uma experiência que ela realizou com alunos. O livro fala muito da importância da liberdade consciente e conscientizada. Como vivemos quase sempre presos a convenções sociais, nosso comportamento também é moldado por essas convenções, o que nos fazem parecer pessoas quase irreais: “Estamos sempre representando um papel que muitas vezes não condiz com a nossa verdadeira essência. Usamos máscaras, e essas máscaras, em vários momentos de nossas vidas, passam a representar o que acreditamos ser a nossa própria realidade” – diz Nina.

O livro levanta um questionamento sobre nós mesmos e o que representamos no mundo em que vivemos, e ainda nos leva a repensar nosso estilo de comportamento e as adequações que esse comportamento precisa ter.
Por tudo isso e pela própria espontaneidade com que Wise escreve um livro sobre espontaneidade, eu indico A Big New Free Happy Unusual Life, calorosamente
Rapidíssima: Há uma edição deste livro em português, da Ed. GMT, intitulado Por uma vida plena, livre, feliz e fora do comum. As livrarias classificaram a tradução como auto-ajuda, mas esta classificação não se aplica, pois o livro é mais um manual de expressão artística do que dicas e receitas para se viver melhor. Entretanto, não tenho nada contra a auto-ajuda. Dito!













Rosângela
Muitas saudades,não esqueci vcs não. Agora está tudo bem querida!
beijos…
Parece ser interessante.
O povo classifica sem nem ter lido. Editoras Uó.
Bjs.
Oi Rose, li a mais da metade do livro de Ibsen (A doll’s house), sentada numa livraria esperando Rogério sair do trabalho para voltarmos juntos para casa. Fiquei realmente super entretida. A mulher, que já não lembro o nome, é uma falsa fútil, né? Achei-a maravilhosa! Manipula o dinheiro como ninguém. Tive pena de não o ter terminado. Não o comprei porque já ia a mais de meio mesmo… era só ir mais uma vez à livraria e ler o resto, kkkkk, mas nunca mais me lembrei disso. Sei que a Ana Paula Arósio interpretou esse personagem em uma peça, no Rio de Janeiro. Quando eu morava lá ainda, essa peça estava em cartaz, mas não fui ver por falta de compainha. Uó. Bjs.