Virginal julho
Eis que chegamos ao primeiro mês do segundo semestre de 2009. E não adianta reclamar que o ano passou rápido e que o tempo urge, porque agora é fato. Se houve algo que ficou inacabado no primeiro semestre de 2009, é hora de finalizar, porque o segundo semestre passa ainda mais depressa.
Não tivemos férias por aqui e não teremos nem recesso em julho. Há muita coisa para decidir e pôr em prática offline. Nesse meio tempo, tenho lido muita coisa e assistido a muitos filmes nos intervalos da tese. E, para não perder o hábito, começo julho com uma dica de filme imperdível, As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides, USA, 2000), de Sofia Coppola. O filme conta, de modo extremamente poético, a curta trajetória das irmãs Lisbon, condenadas em sua adolescência ao claustro imposto pela mãe, em nome da moralidade e religiosidade dos anos 70. No bairro de subúrbio norte-americano aparentemente perfeito, a vida da família Lisbon toma um novo rumo após o suicídio de Cecília, de apenas 13 anos. A partir daí, a vida das irmãs torna-se uma sucessão de eventos inesperados, e quatro dos rapazes da cidade, obsecados pela curiosidade em torno das meninas, tentam compreendê-las, esgueirando-se em seus mistérios através das janelas cerradas da casa dos Lisbon.
O filme é uma delicada fotografia da alma feminina, com seus anseios, seus arroubos, suas necessidades e experiências. O amor, o sexo, a luta pelos ideais e a busca pela liberdade fazem de As Virgens Suicidas mais do que um filme sobre mulheres. Sofia Coppola leva para as telas uma adaptação magnífica do primeiro romance do autor Jeffrey Eugenides, publicado em 1993, e muito elogiado pelo público e pela crítica.
Ao contrário de filmes sobre mulheres em no way out, polarizados em meados do séc. XX, como o próprio Revolutionary Road, engajados em um desfecho trágico, vemos em As Virgens um lirismo diferenciado daquele. Em Revolutionary há muita voz, há muito ruído, muita exaustão retórica. Nas Virgens, existe um silêncio que fala ao coração, que faz um chamado solene e agudo à realidade da mulher aprisionada pela própria vida. Sufocar o diálogo em prol da diegése faz com que a previsibilidade da narrativa desapareça, enaltecendo aquilo que é mais poético.
Assim, começo julho com uma homenagem à liberdade feminina, cuja eloquência vai além da própria palavra e cuja existência vai além da própria vida. Assistam ao filme e comentem aqui, deixem suas opiniões e aproveitem bem o mês.













Uma delicia seu texto!! Deu vontade de pegar o filme e sentar agora mesmo pra assistir!!!
Beijocas e bom 2 semestre!!
Vou ver se encontro…pois é…o ano tá voando…bjo
Ai minha amiga, julho…
Ufa, passei pela pré-banca! Tenho 2 meses pra terminar tudo! Aiaiai… Mamãe saiu de férias, o tempo reduziu mais ainda…
Esse filme… Uma de minhas vergonhas por ainda não ter visto… Mas eu confio!
Beijão! Excelente mês pra ti! Manda lembrança ao John!