Mais uma da pós-modernidade
Descobri hoje que uma boa parcela da juventude norte-americana está sendo denominada de Geração Bege. Essa geração diz respeito ao grupo não-emblemático de jovens que são mais tolerantes com as questões sociais e políticas, mas que não precisam fazer necessariamente uma escolha por partidos e ideologias de direita ou de esquerda.
Grande parte desses jovens votou pela primeira vez nas últimas eleições presidenciais nos EUA. Seus votos fizeram uma grande diferença na contagem numérica para Obama, uma vez que grande parte da população norte-americana que foi às urnas era composta por esses jovens.
Apesar de serem apontados como a mais nova geração não-burocrática, detentora da praticidade crítica e criativa não puritana dos EUA, estes jovens têm uma sede incontrolável pelo consumismo. Eles são a favor da melhoria de vida através da geração e aumento da oferta de empregos e da manutenção da sustentabilidade mundial, para que a condição das pessoas melhore econômica e socialmente.
O ideal do consumismo não é algo novo. Nas décadas de 80/90 houve um aumento enorme das ofertas de novos produtos no mercado de vendas. Com o advento dos videogames, dos primeiros computadores, do videocassete, a corrida pela informatização cresceu muito e desacelerou o interesse pela educação, por exemplo. Era a questão da mais-valia, ou seja, tinha mais valor social quem tivesse dinheiro suficiente para adquirir bens e serviços.
Eu lembro que, nessa época, a minha internet custava uma fortuna e eu só podia ficar conectada cerca de dez minutos e depois lutar para a minha conexão se reestabelecer. Tudo era muito caro. Meu primeiro livro importado (uma necessidade no Curso de Letras) custou os olhos da cara e ir aos EUA era uma moda para poucos.
Talvez, com o Barack Obama, a supervalorização dos bens e da cultura norte-americana retorne. O maior problema é que a tal Geração Bege faça dos produtos made in China, vendidos nos Estados Unidos com marcas americanas, artigos com peso de ouro. Acredito que um dos primeiros desafios do novo presidente será elevar a economia sem fazer os Estados Unidos terem aquela velha cara de lobo-mau dos anos 90. O problema é que, para fazer isso, ele precisará discordar da Geração Bege, sua mais fiel eleitora.

No Brasil, parece-me que uma boa parte do processo de retorno à valorização de produtos, cultura, e costumes norte-americanos já começou. O filme Twilight (dir. Catherine Hardwicke, 2008, EUA) está tendo bilheteria aclamada no país. Mas, na verdade, o filme provocou uma alta tiragem na venda dos livros da série, de autoria da inglesa, naturalizada americana, Stephenie Meyer. Tanto o livro quanto o filme são exemplos perfeitos da indústria cultural que promove o consumismo. Não faço críticas à série, até porque eu mesma comprei e estou gostando. Mas impressiona que uma temática de não novidade tenha uma roupagem totalmente envolvente e propícia ao consumo.
Stephenie acertou em cheio nos anseios da chamada Geração Bege, que pode ser sim conscientemente politizada, mas que não deixa de ser sonhadora e romântica. E isso vende.












Gostei do Post, muito legal o assunto, estou me sentindo completamente por fora da política rssr.
Preciso me atualizar.
Gostei do filme, e quero ler a coleção também , vamos ver se eu consigo.
Feliz 2009, grande beijo e um ótimo final de semana.
Uai, acho que sou bege… (rsrsrssr)
Rô, você acertou em cheio na sua comparação lá no último comentário que deixou (o amor e o blog)… Mas pelo menos o blog eu consigo arrumar na lan house (acabei de fazê-lo), já o amor…
Só vende!
A indústria cultural tem como objetivo vender, então venda. Ainda bem que há essa “conscientização” da geração bege.
vleu!
Poxa, que texto inteligente e reflexivo !
Parabens, passarei mais por aqui, pois valorizo blogs inteligentes !
Abraços
Oi Ro, eu de novo rssr, deixei um presente de grego pra vc no meu blog, é um meme rssr…
Beijão e um ótimo final de semana.
Eu estava por fora desse novo termo inventado.
O consumismo em muitos casos vira até patologia, a pessoa adquire dívidas, vende o almoço pra comprar a janta, mas compra, compra, compra compulsivamente. Ontem vi uma reportagem que falava sobre isso, pessoas que têm até que fazer tratamento psicológico.