Deparei-me com uns comentários engraçados esta semana sobre o fato de eu estar afastada das atividades docentes para estudar para o doutorado. É engraçado como as pessoas “filtram” a nossa vida a revelia de nós mesmos e de evidências reais. Umas pessoas disseram que eu estava de vida boa, porque não tinha de viajar 12 horas por semana (3 dias, ida e volta) para dá aulas.

Fiquei imaginando o que é que vai na cabeça dessa gente. Vi-me aqui, rodeada de afazeres domésticos dos mais chatos (lavar roupa, lavar pratos, varrer, manter os insetos longe da casa, o gato saudável..) em meio a todos os textos, livros, horas a fio no computador que ainda preciso organizar para escrever uma tese de, no mínimo, 250 páginas. Já não bastasse tudo o que preciso fazer por aqui, ainda tenho que dar “desculpinhas” do porquê não telefonei ou não fui visitar fulaninho e cicraninho, uma vez que estou com tempo livre a dar de tapa.
A falta de respeito pelo acadêmico é impressionante. Acho que talvez eu pudesse delegar umas 50 páginas de tese a algumas dessas pessoas. Escrever é uma labuta, porque quando a gente realmente escreve com senso crítico, tudo parece estar a contento ou a desejar. Em todos os lugares há plagiadores de nossos trabalhos, que se dão ao luxo de copiar páginas inteiras de nossa criação ou fazer um remendinho no texto ridículo que eles acham que escreveram.
Estou tão cansada hoje.. e nem sei o porquê.
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