Eis que chega o Dia das Mães. Eu poderia tecer aqui todo aquele discurso que adoro de que dia de mãe é todo dia, que não se deve lembrar da mãe só em um dia específico, que a homenagem às mães é geralmente ofuscada pelo consumismo desenfreado do mundo capitalista.. mas não. Vou apenas me render à comemoração e deixar rolar!

Dia das mães significa almoço de família. Meu pai cozinha, e otimamente. Comida farta, quentinha, substanciosa, acompanhada por um vinho tinto forte e doce. A comida dele deixaria a Babette no chinelo. Daí, junto com a comidalhada toda, tem também a conversa eufórica, os surtos de riso com as piadas de Geo, meu irmão, e as gracinhas graciosas da minha sobrinha Rafaela, que está falando pelos cotovelos, e repete até os palavrões pronunciados acidentalmente pelos outros no calor do vinho e da música, que varia do mais puro brega aos Românticos de Cuba.
É uma festa de família pequenininha, mas muito engraçada. O volume das vozes se altera para decibéis nunca dante imaginados e a gente disputa o resumo dos escândalos da semana noticiados na tevê. Minha mãe adora essa casa cheia de gente maluca que agora se reune ocasionalmente nas datas principais. O engraçado é que a minha irmã, que mora num bairro totalmente afastado, a visita mais do que eu, que moro a apenas 2 ruas dela. Ai, ai.. às vezes, a proximidade é inevitavelmente uma distância.
Encontrei, perdida entre as inúmeras caixas de pequenas coisas ao acaso, a foto de casamento dos meus pais. Achei-a muito linda para ilustrar como tudo começou; o primeiro passo da formação da família pequena e exageradíssima que temos hoje. Vejam a minha mãe! Nossa, ela sempre foi linda. A minha foto de casamento não chega aos pés daquele rosto angelical, delicado e calmo dela. Eu estava tão nervosa que acabei tirando fotos tensas, e ela.. parece tão descansada, tão transcendente no olhar para a máquina..
Comentei com Tânia (há 4 anos a chamo muito mais de Tânia do que de mãe; coisa da minha cabeça embevecida de pós-modernidade e que às vezes ela gosta e às vezes não) de como ela parecia tranqüila naquela foto e ela deu uma risadinha estridente e disse que ninguém reconheceria meu pai naquela foto. Foi engraçado. Acho que afinal de contas nossas mães sempre saberão tirar muito mais proveito da vida do que nós.
Parabéns, Mãe!








